A Dialéctica do Esclarecimento

e outros textos de

Theodor W. Adorno

(1903 - 1969)

Adorno 1903-1969

 

O Conceito de Esclarecimento

No sentido mais amplo do progresso do pensamento, o esclarecimento tem perseguido sempre o objectivo de livrar os homens do medo e de investi-los na posição de senhores. Mas a terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal...

O Conceito de Esclarecimento - (Theodor W. Adorno e Max Horkheimer 1944)

EXCURSO I

Ulisses ou Mito e Esclarecimento

Assim como o episódio das sereias mostra o entrelaçamento do mito e do trabalho racional, assim também a Odisseia em seu todo dá testemunho da dialéctica do esclarecimento. Sobretudo em seus elementos mais antigos, a epopeia mostra-se ligada ao mito: as aventuras têm origem na tradição popular. Mas, ao se apoderar dos mitos, ao "organizá-los", o espírito homérico entra em contradição com eles. A assimilação habitual da epopeia ao mito - que a moderna filologia clássica, aliás, desfez - mostra-se à crítica filosófica como uma perfeita ilusão. São dois conceitos distintos, que marcam duas fases de um processo histórico nos pontos de sutura da própria narrativa homérica. O discurso homérico produz a universidade da linguagem, se já não a pressupõe. Ele dissolve a ordem hierárquica da sociedade pela forma exotérica de sua exposição, mesmo e justamente onde ele a glorifica...

EXCURSO 1 Ulisses ou Mito e Esclarecimento - (Theodor W. Adorno e Max Horkheimer 1944)

EXCURSO II

Juliette ou Esclarecimento e Moral

Não ter escondido, mas espalhado por todo o mundo, a impossibilidade de fundar na Razão um argumento contra o assassínio, desencadeou o ódio com que mesmo os progressistas perseguem ainda hoje Sade e Nietzsche. Diversamente do Positivismo Lógico, ambos levam a ciência ao pé da letra"...

EXCURSO 2 Juliette ou Esclarecimento e Moral - (Theodor W. Adorno e Max Horkheimer 1944)

A Indústria Cultural:

O esclarecimento como mistificação das massas

Na opinião dos sociólogos, a perda do apoio que a religião objectiva fornecia, a dissolução dos últimos resíduos pré-capitalistas, a diferenciação técnica e social e a extrema especialização levaram a um caos cultural. Ora, essa opinião encontra a cada dia um novo desmentido. Pois a cultura contemporânea confere a tudo um ar de semelhança. O cinema, o rádio e as revistas constituem um sistema. Cada sector é coerente em si mesmo e todos o são em conjunto. Até mesmo as manifestações estéticas de tendências políticas opostas entoam o mesmo louvor do ritmo de aço.

A Indústria Cultural - (Theodor W. Adorno e Max Horkheimer 1944)

Elementos do Anti-Semitismo:

Limites do esclarecimento

Actualmente, o anti-semitismo é considerado por uns como uma questão vital da humanidade, por outros como mero pretexto. Para os fascistas, os judeus não são uma minoria, mas a anti-raça, o princípio negativo enquanto tal; de sua exterminação dependeria a felicidade do mundo. No extremo oposto está a tese de que os judeus, livres de características nacionais ou raciais, formariam um grupo baseado na opinião e na tradição religiosas e nada mais. Só se poderia falar de características judaicas a propósito dos judeus orientais e, em todo caso, unicamente a propósito dos que ainda não foram inteiramente assimilados. Ambas as doutrinas são verdadeiras e falsas ao mesmo tempo.

Elementos do Anti-Semitismo - (Theodor W. Adorno e Max Horkheimer 1944)

NOTAS E ESBOÇOS

CONTRA OS QUE TÊM RESPOSTA PARA TUDO

Uma das lições que a era hitlerista nos ensinou é a de como é estúpido ser inteligente. Quantos não foram os argumentos bem fundamentados com que os judeus negaram as chances de Hitler chegar ao poder, quando sua ascensão já estava clara como o dia! Tenho na lembrança uma conversa com um economista em que ele provava, com base nos interesses dos cervejeiros bávaros, a impossibilidade da uniformização da Alemanha.

Notas e Esboços - (Theodor W. Adorno e Max Horkheimer 1944)

Outros Textos

"MEU PENSAMENTO SEMPRE ESTEVE NUMA RELAÇÃO MUITO INDIRETA COM A PRÁTICA"

Entrevista à "Der Spiegel" - (Theodor W. Adorno; 1969)

SOBRE SUJEITO E OBJETO

Se a estrutura dominante da sociedade reside na forma da troca, então a racionalidade desta constitui os homens; o que estes são para si mesmos, o que pretendem ser, é secundário. Eles são deformados de antemão por aquele mecanismo que é transfigurado filosoficamente em transcendental.

Sobre Sujeito e Objecto - (Theodor W. Adorno; 1969)

NOTAS MARGINAIS SOBRE TEORIA E PRAXIS

A práxis nasceu do trabalho. Alcançou seu conceito quando, o trabalho não mais se reduziu a reproduzir diretamente a vida, mas sim pretendeu produzir as condições desta: isto colidiu com as condições então existentes. O fato de se originar do trabalho pesa muito sobre toda práxis.

Notas Marginais sobre Teoria e Praxis - (Theodor W. Adorno; 1969)

EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ

Que Auschwitz não se repita. Ela foi a barbárie contra a qual se dirige toda a educação. Fala-se da ameaça de uma regressão à barbárie. Mas não se trata de uma ameaça, pois Auschwitz foi a regressão;

Educação após Auschwitz - (Theodor W. Adorno; 1969)

CARTAS DE ADORNO E MARCUSE

A tua mais forte alegação consiste em dizer que a situação é tão horrível que se deve tentar quebrá-la, mesmo reconhecendo ser isso objetivamente impossível. Eu levo o argumento a sério.

Cartas de Adorno e Marcuse - (Maio 1969)

A EDUCAÇÃO CONTRA A BARBÁRIE

A tese que gostaria de discutir é a de que desbarbarizar tornou-se a questão mais urgente da educação hoje em dia. O problema que se impõe nesta medida é saber se por meio da educação

A Educação contra a Barbárie - (Theodor W. Adorno; 1968)

EDUCAÇÃO – PARA QUÊ?

Uma das irracionalidades da pedagogia é que iniciativas pedagógicas decisivas são devidas a teorias totalmente equivocadas.

Educação - Para Quê? - (Theodor W. Adorno; 1966)

A ATUALIDADE da FILOSOFIA

Quem hoje em dia escolhe o trabalho filosófico como profissão, deve, de início, abandonar a ilusão de que partiam antigamente os projetos filosóficos.

A Atualidade da Filososfia - (Theodor W. Adorno; 1966)

A ARTE É ALEGRE?

O prólogo ao Wallenstein, de Schiller, termina com o seguinte verso: "Séria é a vida, alegre é a arte". Foi inspirada pelos versos de Ovídio, em Tristia:

A Arte é Alegre? - (Theodor W. Adorno; 1966)

TABUS ACERCA DO MAGISTÉRIO

A desbarbarização da humanidade é o pressuposto imediato da sobrevivência. Este deve ser o objetivo da escola, por mais restritos que sejam seu alcance e suas possibilidades. E para isto ela precisa libertar-se dos tabus, sob cuja pressão se reproduz a barbárie.

Tabus acerca do Magistério - (Theodor W. Adorno1965)

Résumé sobre indústria cultural

Parece que a expressão "indústria cultural" foi empregada pela primeira vez na Dialética do esclarecimento**, que Horkheimer e eu publicamos em 1947, em Amsterdam. Em nossos esboços se falava em "cultura de massas". Substituímos esta expressão por "indústria cultural"

Résumé sobre indústria cultural - (Theodor W. Adorno; 1963)

TELEVISÃO E FORMAÇÃO

Em primeiro lugar, compreendo "televisão como ideologia" simplesmente como o que pode ser verificado, sobretudo nas representações televisivas norte-americanas, cuja influência entre nós é grande, ou seja, a tentativa de incutir nas pessoas uma falsa consciência e um ocultamento da realidade.

Televisão e Formação - (Theodor W. Adorno; 1963)

IDEOLOGIA

Não só a autonomia mas a própria condição dos produtos espirituais de se tornarem autônomos são pensadas, com o nome de ideologia, em uníssono com o movimento histórico da sociedade. E nesta se desenvolvem os produtos ideológicos e suas funções.

Ideologia - (Theodor W. Adorno; 1962)

A FILOSOFIA E OS PROFESSORES

Mas podemos exigir de uma pessoa que ela voe? É possível receitar entusiasmo, a condição subjetiva mais importante da filosofia, segundo Platão, que sabia do que estava falando?

A Filosofia e os Professores - (Theodor W. Adorno1961)

O QUE SIGNIFICA ELABORAR O PASSADO

A pergunta "O que significa elaborar o passado" requer esclarecimentos. Ela foi formulada a partir de um chavão que ultimamente se tornou bastante suspeito. Nesta formulação. a elaboração do passado

O que Significa Elaborar o Passado - (Theodor W. Adorno; 1960)

REVENDO O SURREALISMO

A teoria amplamente difundida do surrealismo, como colocada nos Manifestos de Breton e também como dominante nos manuais de introdução, o relaciona com o sonho, o inconsciente, talvez até com os arquétipos de Jung, que, nas colagens e na escrita automática, teriam encontrado sua linguagem constituída de imagens e enfim liberta de relação com o "eu" consciente.

Revendo o Surrealismo - (Theodor W. Adorno; 1956)

Liderança democrática e manipulação de massas

 Os conceitos de liderança e ação democrática estão tão profundamente envolvidos na dinâmica da moderna sociedade de massa que seu sentido não pode mais ser aceito como dado na presente situação.

Liderança democrática e manipulação de massas  - (Theodor W. Adorno; 1951)

A Teoria freudiana e o modelo fascista de propaganda

 Durante a década passada, a natureza e conteúdo das falas e panfletos dos agitadores fascistas norte-americanos foi submetida a intensa pesquisa por parte dos cientistas sociais. Alguns desses estudos, feitos na linha das análises de conteúdo, acabaram permitindo a feitura de uma apresentação abrangente da matéria no livro Prophets of Deceit, de Leo Lowenthal e Norbert Guterman.

A Teoria freudiana e o modelo fascista de propaganda  - (Theodor W. Adorno; 1951)

Introdução à “A Personalidade Autoritária”

O assunto deste livro é a discriminação social mas seu propósito não é simplesmente acrescentar algumas descobertas empíricas a um corpo de informação já bastante extenso.

Introdução à "A Personalidade Autoritária"  - (Theodor W. Adorno; 1950)

ADORNO PARA MANN

O filósofo por ele mesmo 5 de julho de 1948

Adorno para Mann - (Theodor W. Adorno; 1948)

Propaganda fascista e anti-semitismo  

 As observações contidas neste artigo baseiam-se em três estudos realizados pelo Projeto de Pesquisa sobre o Anti-semitismo, patrocinado pelo Instituto de Pesquisa Social na Universidade de Columbia.

Propaganda fascista e anti-semitismo  - (Theodor W. Adorno; 1946)

A Técnica Psicológica das Palestras Radiofônicas de Martin Luther Thomas

A liderança fascista se caracteriza pela complacência para com as declarações palavrosas que faz sobre si mesma. Os propagandistas liberal e radical, ao contrário, desenvolveram a tendência de evitar qualquer referência à sua vida privada em favor dos interesses objetivos aos quais apelam. O primeiro, a fim de mostrar seu realismo e competência; o último, porque sua atitude coletivista poderia se ver ameaçada, se ele realça-se sua personalidade.

A Técnica Psicológica das Palestras Radiofónicas de Martin Luther Thomas  - (Theodor W. Adorno; 1943)

A IDEIA DE HISTÓRIA NATURAL

Quero observar algo sobre a terminologia. Quando se fala de história natural, não se trata no caso de entendê-la em sentido tradicional pré-científico, nem como história da natureza à maneira como a natureza é objeto das ciências da natureza.

A Ideia de História natural - (Theodor W. Adorno; 1932)

EXPRESSIONISMO E VERDADE

A enferrujada cerca de arame farpado que se estende entre a arte e a vida enlouquece; ambas se confundem o efeito dos grandes acontecimentos de nossa época.

Expressionismo e Verdade - (Theodor W. Adorno; 1920)

TEORIA DA SEMICULTURA

O que hoje se manifesta como crise da formação cultural não é um simples objeto da pedagogia, que teria que se ocupar diretamente desse fato, mas também não pode se restringir a uma sociologia que apenas justaponha conhecimentos a respeito da formação. Os sintomas de colapso da formação cultural que se fazem observar por toda parte, mesmo no estrato das pessoas cultas, não se esgotam com as insuficiências do sistema e dos métodos da educação, sob a crítica de sucessivas gerações. Reformas pedagógicas isoladas, indispensáveis, não trazem contribuições substanciais.

Teoria da Semicultura - (Theodor W. Adorno)

TESES SOBRE RELIGIÃO E ARTE

A perdida unidade entre a arte e a religião, vista como um fato benéfico ou prejudicial, não pode ser recuperada por um ato de vontade.

Teses sobre Religião e Arte - (Theodor W. Adorno)

Outros Autores

Roswitha Scholz

Homo Sacer e Os Ciganos

O Anticiganismo – Reflexões sobre uma variante essencial e por isso esquecida do racismo moderno

ANTÍGONA

Este livro destaca o real significado do anticiganismo, como variante específica do racismo no seio do capitalismo. A tese central que a autora expõe neste ensaio consiste na ideia de que o cigano se situa desde sempre no exterior da lei e, por isso, representa a sua matriz inadmitida, não sendo a exclusão e a idealização romântica senão as duas faces da mesma moeda racista. «O desprezo pelo cigano é testemunha de uma forma, nada despicienda, do medo da despromoção na escala social, como estado de espírito fundamental e ubíquo no capitalismo», assevera a autora.

Homo Sacer e Os Ciganos  - (Roswitha Scholz; Exit! nº4 Junho de 2007 Deutsch

Robert Kurz

Dinheiro sem valor

Linhas gerais para a transformação da crítica da economia política

Dinheiro sem valor (Prefácio e Índice) - (Robert Kurz; Maio de 2012) Deutsch

Cap. 20 - O sacrifício e o regresso perverso do arcaico (Dinheiro sem valor) - (Robert Kurz: Maio de 2012) Deutsch

20. O sacrifício e o regresso perverso do arcaico

«Só neste ponto se torna também evidente o carácter modificado da “dívida” secundária no sentido do endividamento económico (crédito). Se o sistema de crédito gerava “investimentos para o futuro”, como diz Bolz em termos elogiosos, tal acontecia unicamente no sentido de um sacrifício futuro de energia humana ao fetiche do capital, ou seja, à objectualidade do valor autonomizada e pseudodivinizada. O segundo plano da “dívida” no sentido do movimento do sacrifício, porém, vem a ser o crédito, se o sacrifício futuro de energia humana por ele antecipado já não puder ser cobrado em termos reais. O que já foi apresentado na habitual terminologia económica adquire, pela decifragem do contexto de sentido transcendental subjacente, um significado medonho: o ídolo, o “sujeito automático”, foi ludibriado pelo sistema financeiro e vinga-se terrivelmente na sociedade, paralisando a reprodução da sua vida real com abalos sucessivos.

Esta viragem do movimento do sacrifício reificado da energia vital humana capitalizada para o literal sacrifício de possibilidades de vida e da própria vida humana processa-se, uma vez mais, não de uma forma homogénea, mas por levas, selectivamente, em determinadas áreas, de um modo escalonado tanto no tempo como no espaço e distribuído por diversas categorias sociais. Acresce que a democratização da crise exige o estatuto de sacrifício interiorizado do sujeito moderno, que nele toma consciência de si próprio; e o auto-abandono voluntário em nome do fetiche do capital, por falta de capacidade de sacrifício de energia vital e de trabalho, constitui a derradeira glória do autocontrolo capitalista e da sua loucura de exequibilidade. O restabelecimento das estruturas arcaicas do sacrifício humano, porém, não é um simples regresso, mas, como qualquer regressão, é tanto mais horrível quanto não é capaz de repousar em si mesma como estado, mas ocorre a um nível há muito afastado da origem como mutilação e destruição sem perspectiva.

Mas a regressão no terreno do fetiche do capital, já incapaz de se reproduzir também, significa que um crescimento desordenado e “asselvajamento” (Roswitha Scholz) do patriarcado moderno, da relação de dissociação sexual, abre caminho nas relações do sacrifício. O regresso do sacrifício humano imediato na economia de crise traz ainda a marca da dissociação sexual, ou seja, da estrutura moderna da subjectividade androcêntrica que, na sua decomposição, reconstitui ao mesmo tempo a “feminilidade” como “matéria-prima” “sobre cujo sacrifício também a nossa civilização está edificada” (Kurnitzky 1994, p. 61). Isto é o fim da ilusão pós-moderna de um nivelamento da assimetria entre os sexos inscrita nas formas básicas do fetiche do capital. O próprio androginismo superficial pós-moderno revela-se uma brutalização da estrutura não suplantada da dissociação, não só nas neuroses compulsivas dos fascistas religiosos, mas também nos modos de reacção da masculinidade encapuçada, economificada e orientada para a concorrência. É nisto que também transparece o carácter ideológico e afirmativo da celebração, por Kurnitzky, de uma base de mercado construída sem alicerces que, ainda assim, também segundo ele assenta em estruturas de sacrifício e, em especial, no sacrifício do objecto passional feminino. A regressão da estrutura reificada da dissociação provoca directamente a vontade de uma reconciliação desesperada com o fetiche do capital através do sacrifício primário de “carne feminina” no seu imundo altar.»

O sacrifício e o regresso perverso do arcaico (Dinheiro sem valor) - (Robert Kurz: Maio de 2012) Deutsch

A Indústria Cultural no Século XXI - (Robert Kurz; EXIT! nº 9  Março de 2012) Deutsch Vídeo

CRÍTICA DO CAPITALISMO PARA O SÉCULO XXI

Com Marx para além de Marx: o Projecto Teórico do Grupo "EXIT!"

Desde o fim dos anos 80, assistimos em todo o mundo à agonia de marxismo, socialismo, movimento operário, movimentos de libertação nacional, e não só. Também o clássico Estado de Bem-Estar Social burguês está em dissolução, o paradigma keynesiano não passa agora duma nostalgia e os regimes do "desenvolvimento" no Terceiro Mundo desmoronam-se, até mesmo nas suas variantes pró-ocidentais. A antiga oposição entre reforma e revolução na esquerda torna-se supérflua, uma vez que não existe um horizonte comum entre desenvolvimento e movimento social. Em toda parte as instituições que restam da antiga luta de interesses sociais içam a bandeira branca da rendição. O conceito de "reforma social" transformou-se no seu exacto oposto e foi semanticamente ocupado pela contra-reforma neoliberal, que aos poucos vai liquidando todas as conquistas sociais, sistemas de segurança social e serviços públicos. O paradigma neoliberal já não é uma posição diferente, mas um consenso suprapartidário, que atinge grande parte da esquerda. E a resistência torna-se cada vez mais fraca, até mesmo grandes greves e incendiários movimentos de massas terminam sistematicamente em derrota e resignação.

Aparentemente o capitalismo venceu em toda a linha. E isso não só como poder exterior repressivo, mas até no interior dos próprios sujeitos. A aparente "lei natural" do mercado e a universalidade negativa da concorrência são vividas como condições inultrapassáveis da existência humana, apesar dos seus efeitos devastadores, humilhantes e insuportáveis. Quanto mais claro fica que essa ordem social planetária resulta em autodestruição social e ecológica, mais obstinadamente os indivíduos se agarram às categorias e critérios dessa forma negativa de socialização que interiorizaram. Na mesma medida em que a racionalidade burguesa se dissolve na barbárie prevenida por Marx, o pensamento social recusa qualquer reflexão crítica, e invoca uma "civilização" capitalista, que só existiu como progresso positivo na apologética ideológica. O poder militar da polícia mundial capitalista não soluciona problema nenhum e apenas potencializa o caos destrutivo e a falta de perspectivas. O capitalismo só venceu na forma da sua própria crise, que no entanto se tornou a crise dos mesmos famosos "sujeitos actuantes", e por isso já não parece abrir nenhuma via de emancipação social. A nova qualidade da crise paralisa a crítica, em vez de a mobilizar...

CRÍTICA DO CAPITALISMO PARA O SÉCULO XXI - (Janeiro de 2006)

Robert Kurz

A HISTÓRIA COMO APORIA

Teses preliminares para a discussão em torno da historicidade das relações de fetiche

(2ª Série)

SINOPSE: 1. A abordagem da teoria da história para além do marxismo tradicional/ 2. A problemática do conceito de história como constructo moderno/ 3. Aporias solúveis e insolúveis/ 4. A crítica radical da modernidade não pode deixar de ter uma teoria da história/ 5. Dissociação e fetiche/ 6. Capitalismo e Religião/ 7. Sobre o conceito de relações de fetiche/ 8. Metafísica, transcendência e transcendentalidade/ 9. Da divisão de épocas ao relativismo da história/ 10.Alinhar com o processo de desmoronamento da filosofia burguesa da história?/ 11. Que significa pensar contra si mesmo?/ 12. A dialéctica da teoria da história em Adorno/ 13. Crítica do conhecimento da teoria da dissociação e crítica do conceito de história/ 14. Teoria negativa da história e programa de desontologização/ 15. Um novo conceito de unidade entre continuidade e descontinuidade/ 16. Conceitos afirmativos da reprodução e conceitos histórico-críticos da reflexão/ 17. Ruptura ontológica e "superavit crítico [kritischer Überschuss]"/ 18. Insuficiências e conteúdos de ideologia alemã, reaccionários, da hermenêutica da história/ 19. Fossilização ontológica como vingança da dialéctica/ 20. Consequências possíveis: pose neo-existencialista, decisionismo, reformismo neo-verde.

A História como Aporia (2ª Série) - Robert Kurz; Setembro de 2006 Deutsch

(1ª Série)

SINOPSE: 1. A abordagem da teoria da história para além do marxismo tradicional/ 2. A problemática do conceito de história como constructo moderno/ 3. Aporias solúveis e insolúveis/ 4. A crítica radical da modernidade não pode deixar de ter uma teoria da história/ 5. Dissociação e fetiche/ 6. Capitalismo e Religião/ 7. Sobre o conceito de relações de fetiche/ 8. Metafísica, transcendência e transcendentalidade/ 9. Da divisão de épocas ao relativismo da história/ 10.Alinhar com o processo de desmoronamento da filosofia burguesa da história?/ 11. Que significa pensar contra si mesmo?/ 12. A dialéctica da teoria da história em Adorno/ 13. Crítica do conhecimento da teoria da dissociação e crítica do conceito de história/ 14. Teoria negativa da história e programa de desontologização/ 15. Um novo conceito de unidade entre continuidade e descontinuidade/ 16. Conceitos afirmativos da reprodução e conceitos histórico-críticos da reflexão/ 17. Ruptura ontológica e "superavit crítico [kritischer Überschuss]"/ 18. Insuficiências e conteúdos de ideologia alemã, reaccionários, da hermenêutica da história/ 19. Fossilização ontológica como vingança da dialéctica/ 20. Consequências possíveis: gesto neo-existencialista, decisionismo, reformismo neo-verde.

A História como Aporia (1ª Série) - (Robert Kurz; Agosto de 2006) Deutsch

A Substância do Capital

O trabalho abstracto como metafísica real social e o limite interno absoluto da valorização.

Primeira parte: A qualidade histórico-social negativa da abstracção "trabalho".

O Absoluto [Absolutheit] e a relatividade na História. Para a crítica da redução fenomenológica da teoria social - O conceito filosófico de substância e a metafísica real capitalista - O conceito negativo de substância do trabalho abstracto na crítica da economia política de Marx - O conceito positivo do trabalho abstracto na ontologia do trabalho marxista - Para a crítica do conceito de trabalho em Moishe Postone - O trabalho abstracto e o valor como apriori social - O que é abstracto e real no trabalho abstracto? - O tempo histórico concreto do capitalismo

A Substância do Capital - (Robert Kurz; EXIT! nº1 Agosto 2004) Deutsch

TABULA RASA

Até onde é desejável, obrigatório ou lícito que vá a crítica ao Iluminismo?

A crítica da dissociação, a crítica do sujeito e a crítica do Iluminismo constituem uma unidade indivisível, não sendo qualquer destes momentos possível sem qualquer dos outros. É de um modo correspondente, que prescinda de simplificações abusivas, que a crítica tem de proceder se quiser concluir o novo paradigma crítico do valor e da dissociação – o que não equivale à conclusão da elaboração teórica em termos gerais, mas unicamente à conclusão preliminar da "destruição criadora" do velho paradigma. Podem e devem existir, sem dúvida, diversas posições, acentuações e aspectos no contexto da teoria crítica do valor e da dissociação; mas não podem existir lado a lado, em uma aleatoriedade quase que pós-moderna, sendo irremediavelmente opostas umas às outras, tendo antes de ser mutuamente compatíveis a um nível fundamental, o que também significa terem de comportar um carácter vinculativo comum.

Uma coexistência pacífica com o modus dissociativo "masculino" da elaboração teórica está excluída. Assim sendo, para a forma do sujeito moderna, capitalista e "ocidental", que de qualquer modo já apenas existe nas respectivas formas de decadência, não deve crescer nada que a salve se for para a emancipação da relação de coacção destruidora do mundo, que é a socialização do valor, constituir uma opção séria. Provavelmente isto até nem suscita controvérsia; mas nesse caso a crítica do sujeito não deveria ser apenas mantida coerente, mas também deveria ser cautelosamente delimitada em termos conceptuais, face a outras questões que dizem respeito a conquistas culturais da Humanidade de um modo geral. Há que fazer tábua rasa com a forma do sujeito capitalista e ocidental e com a vinculação a uma forma de fetiche em termos gerais, mas, lá por isso, não com tudo e qualquer coisa que a Humanidade tenha produzido até à data apesar da sua vinculação fetichista e através da mesma.

Tabula Rasa - (Robert Kurz; Krisis 27 - Novembro 2003)

ONTOLOGIA NEGATIVA

Os obscurantistas do Iluminismo e a metafísica histórica da Modernidade

Talvez se pudesse objectar que uma condenação sumária dos pensadores do Iluminismo sujeitaria esses senhores a um tratamento que obedeceria a uma lógica identitária injustificada, como se eles se resumissem totalmente ao seu crime intelectual negativo. Até certo ponto teremos mesmo de comportar-nos em relação a eles dum modo assim tão supostamente "injusto" para finalmente nos livrarmos desta pesada hipoteca ideal. Tal como os democratas musculados, como se sabe, espalham a palavra de ordem "Nenhuma liberdade para os inimigos da liberdade" (referindo-se com isso, sem qualquer dúvida, mais à crítica emancipatória do que aos próprios familiares racistas), a crítica do valor e da dissociação poderia proceder segundo o mote: "Nenhuma isenção do processo da lógica identitária para os ideólogos da lógica identitária" porque, de outro modo, nunca mais nos vemos livres deles.

Ontologia Negativa - (R. Kurz; Krisis 26 - Janeiro de 2003)

NEGATIVIDADE INTERROMPIDA

Notas sobre a crítica de Horkheimer e Adorno a Kant e ao Esclarecimento.

Negatividade Interrompida - (Norbert Trenkle; Junho 2002)

Razão Sangrenta

20 Teses contra o assim chamado Iluminismo e os "valores ocidentais"

Razão Sangrenta - (Robert Kurz; Junho de 2002)

Alfred SOHN-RETHEL

Trabalho espiritual e corporal Para a epistemologia da história ocidental

Trabalho espiritual e corporal - (A. Sohn-Rethel; 1998)

ATÉ A ÚLTIMA GOTA

Como o Esclarecimento tornou-se mito e a promessa de liberdade converteu-se em 'total empulhação das massas' Todas as monstruosidades da história retornam sob a máscara das ''coerções'' liberais

Até a última gota - (Robert Kurz 1997)

SIC TRANSIT GLORIA ARTIS O "fim da arte" segundo Theodor W. Adorno e Guy Debord

SIC TRANSIT GLORIA ARTIS (A. Jappe: 1995)

Mas será que o monstruoso aparelho científico e pseudocientífico da repressão, unido à incessante recriação dos desejos e das satisfações destinadas a tornar a servidão tolerável poderão indefinidamente mascarar o caráter destruidor do sistema e os meios de abolí-lo?

Uma nova ordem - (Herbert Marcuse 1972)

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Lisboa: Dez. 2001 - actualização: Junho - 2014

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